Você também pode ser um:
Quando falamos em Playboy vem logo à mente a imagem de Chiquinho Scarpa, isso se você tiver mais de 35 anos, porque com a globalização, alta do dólar, BOVESPA operando em baixa e as revoltas dos gays querendo casar, a coisa mudou muito de uns tempos pra cá.
Hoje a palavra Playboy é usada para agredir um individuo estereotipado, a expressão Playboy é usada para se dirigir a aquele camarada que se encontra em uma condição financeira imediatamente acima da sua.
Você deve estar pensando “PORRA! QUE PAPO DE PLAYBOY”, mas eu vou provar isso. Vamos tomar como exemplo o universo da musica.
O cara que ouve musica clássica, é Playboy para o cara que ouve Bossa Nova, que por sua vez, é o Playboy para o ouvinte da musica POP, que também entra na onda sendo o Playboy do roqueiro, aonde ocorre um fenômeno interessante, assim que uma banda que você curte recebe um “disco de ouro” ela passa a ser rotulada como uma “banda de Playboy”, visto os exemplos de Raimundos e Charlie Brown que depois de terem seus HITS inseridos em malhação e tocarem no Faustão foram imediatamente ?¿promovidos¿? a tal titulo. Até D2, da tão repudiada Família Planet Hemp entrou nessa onda, então acaba por aí?
Negativo, o Roqueiro é o Playboy do forrozeiro, pagodeiro e axezeiro (detalhe para esses 3 ritmos que convivem em uma harmonia desconcertante). Esses 3 estilos são Playboys do Funqueiro, que não consegue escapar de ser o Playboy do Moleque de rua com fome que paga boquete em banheiro publico em troca de Crack, mas tem o “privilégio” de não ser rotulado como Playboy por ninguém.
Essa cadeia classificatória pode ser exemplificada em outros universos. Na preparação de carros (coisa corriqueiramente de Playboy), os donos dos quadradinhos, (Gol, Voyage, Parati, Passat, etc.), não suportam os Playboys dos redondinhos (gol G3, Peugeot 306, Escort Zetec, etc.) que por sua vez repudiam a existência da turma dos aerodinâmicos (Eclipse, BMW, Mercedes, Porsche, etc.) que não repudiam ninguém, porque são convencidos demais para admitir que exista alguém com mais dinheiro que eles. Enquanto isso, o cara que não tem carro chama todo mundo de Playboy mesmo e foda-se.
Não estou aqui para definir o significado da expressão Playboy, nem tenho tal pretensão. Estou apenas querendo mostrar como as coisas mudam.
Seria então o termo “Playboy” uma forma de compensar um complexo de inferioridade perante outro ser???
Culto de mais isso. Vamos deixar essa análise psicológica pra algum Playboy formado em psicologia fazer.
Vamos ver então alguns prós e contras dessa nova forma de classificar aqueles que por algum motivo têm mais razões pra sorrir do que você nessa nova época de pré-conceito.
Prós:
- Quanto mais fudido você for, menos gente vai te chamar de Playboy.
- Pra que se matar tentando comprar um carro? Pra virar Playboy?
- Não importa se tudo caiu do céu pra você, você certamente é o Playboy para alguém que te odeia mas no fundo acha que você é mais competente que ele.
Contras:
- Não importa o quão duro você trabalhou pra ter o que tem, você certamente é o Playboy para alguém que acha que tudo caiu do céu pra você.
- Confome-se em ser Playboy, se você tentar ser humilde de mais vão dizer que você ta tirando onda
- Se você não está na merda e ainda tem a opção de capinar um quintal, você ainda é Playboy pra alguém
A lição:
A não ser que você esteja na mais pura sarjeta vivendo da bondade alheia e dormindo na rua, você é, de alguma forma um Playboy, portanto não pare de correr atrás e cresça, pelo menos vai fazer com que mais gente te encare dessa forma.
A moral da história:
Toda essa rotulação da modernidade se deve a uma regra básica de sobrevivência que rompe a história da humanidade, seja consolando quem não é capaz, acalentando quem ainda não chegou lá ou simplesmente mantendo acesa a vontade de superar o próximo, fazendo com que, num mundo onde dinheiro é TUDO, quem não o tem, tenha pelo menos o prazer de pré-conceituar quem o tem, mantendo sempre acesa a chama dessa regrinha básica: “Sempre sacaneie quem é diferente de você” seja ele melhor ou pior.
Para não ser rotulado pelo menos por aquele cuja opinião importa pra você, deixe que todos te rotulem, mas nunca subestime os outros ou se congratule demais, trate as pessoas pelo que ela são e não pelo que têm. Dessa forma, ao menos aqueles que te conhecerem um pouco mais não irão te classificar como Playboy ou coisas do gênero, e quem sabe você pode até ouvir desses, a famosa frase:
“Porra! Eu achava que você era o maior zé-buceta cara.”